A vida é uma cereja. A morte um caroço. O amor uma cerejeira.

21 de setembro de 2009

Parábola Oriental


Cerejinha, Regaleira, 2007


Um ancião passava os seus dias sentado ao lado de um poço de água, na entrada de um povoado.

Certa ocasião, um jovem aproximou-se e perguntou-lhe:

- Nunca estive nesse povoado. Como são seus habitantes ?

O ancião respondeu-lhe com outra pergunta:

- Como são os do lugar de onde você vem ?

- Egoístas e malvados. Por isso me sinto feliz por ter saído de lá - disse o rapaz.

- Assim são os habitantes desta cidade - respondeu o ancião .

Apenas uma hora depois outro jovem se aproximou e fez-lhe a mesma pergunta :

- Acabo de chegar a este lugar, como são seus habitantes ?

O ancião respondeu :- Como são os do lugar de onde você vem ?

- São bons , generosos, hospitaleiros, honestos e trabalhadores. Deixei tantos amigos que me custou muito sair de lá - afirmou o rapaz.

- Assim são, também, os habitantes desta cidade. - respondeu o ancião.

Quando o jovem partiu, um homem que havia levado os seus animais para beber água no poço e que havia escultado ambas conversas, perguntou ao ancião:

- Como é que pode dar duas respostas opostas ante a mesma pergunta ?

- Acontece que cada um leva um Universo em seu coração. Quem nada encontrou de bom no seu passado, nada encontrará aqui. Aquele que tinha amigos na sua cidade, aqui também encontrará bons amigos.

As pessoas refletem o que existe em si mesmas. Encontram, sempre, o que esperam encontrar.