A vida é uma cereja. A morte um caroço. O amor uma cerejeira.

20 de junho de 2009

Morre lentamente quem não viaja


Cerejinha, Berlengas, 2005



Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

18 de junho de 2009

Cerejinha, Aldeia da Luz, 2008
Há um desassossego no ar.

Temos a sensação de estar na orla do tempo, entre o Presente quase a terminar e o Futuro que ainda não nasceu.

Boaventura Sousa Santos

15 de junho de 2009

Cerejinha, Rio Alva, Secarias, 2009

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
pois o triunfo pertence a quem se atreve...
A vida é grande para ser insignificante.

Charles Chaplin

12 de junho de 2009

Alguém se lembra da série árvores?!?

Cerejinha, Empúries, 2006

Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará.
D. Elton Trueblood


11 de junho de 2009

Cerejinha, Fornos de Algodres, 2009

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa

10 de junho de 2009

Atitudes cívicas nas relações sociais...

Precisei de deslocar-me, em transportes públicos, à cidade de Lisboa.
Ora eu, que faço parte da urbe populosa dos arredores da capital, quero confessar que esta é uma aventura que realizo poucas vezes mas que ultimamente, cada vez que faço uma tentativa, se me apresenta assaz penosa…

No fim-de-semana passado cheguei à estação da CP e soube que, agora, o cartão da Lisboa Viva também é válido para a CP. Já tinha um Viva Viagem que costumo utilizar no Metro, carreguei na máquina da CP viagem de ida e volta. Por esse motivo fiquei impedida de usar o cartão no Metro. Os cartões são os mesmos, servem para ambos os transportadores, mas não em simultâneo. Se houver viagens de um carregadas não podemos carregar de outro…
Segue-se, fui mas não voltei. Ou melhor, voltei mas não de comboio, uma simpática boleia de automóvel deixou-me nesse dia em casa.


Hoje… chego à estação e, ao passar o cartão na máquina ela “diz” que eu tenho uma viagem creditada. Penso:
“Olá! Será a volta da semana passada?!”
Dirijo-me à bilheteira onde um funcionário me confirma que:
“Já não existe ida e volta. Agora há viagens. E, efectivamente a senhora tem uma no bilhete. Pode seguir!”
Ao passar na máquina de entrada bem faço festas com o cartão no leitor mas ele…nada!
Pessoas várias, em sentido contrário e com aquele ar de enfado de quem estão a explicar o óbvio, dizem-me:
“Ainda não está em funcionamento!”
Encolho os ombros e sigo… e lembro-me de que, na semana passada ouvi um bip ao efectuar esta operação…
Já no comboio comento com a minha mãe que, sensatamente – o que vale a experiência – comprou um bilhete simples: (ai filha, enquanto este funcionar faço como sempre) “…quando chegar a Entre Campos tenho de passar o bilhete na máquina senão não consigo comprar viagens de metro…” …e eis senão quando, vem o revisor.
Pica o bilhete da mãe (meu Deus, o que vale a simplicidade…) e introduz o meu na máquina:
“O registo deste bilhete diz que a senhora usou a sua viagem no dia 15, pelas 9:40.”
“Pois, mas tinha a volta e…”
“Já não há viagens de ida e volta! Só viagens!”
“O seu colega explicou-me isso e estou a usar a viagem não utilizada.”
“Este cartão não tem nenhuma viagem não utilizada!”
“Mas ainda agora tinha…”
“Como sabe?”
“A maquina da estação disse…e o seu colega confirmou…”
“Mas não tem!”
“Então?... posso compra-lhe o bilhete a si?”
“Isso não. Um momento…”
O comboio tinha parado na estação e o revisor dirigiu-se à porta do comboio e mandou seguir. Enquanto isso toda a gente, excepto eu, na carruagem desata a dizer mal do sistema dos bilhetes verdes, e da CP, e do Metro, e dos revisores, e…sinto-me cada vez mais comprometida…
O revisor volta.
“Não passou o cartão no detector da entrada da estação?”
“Passei, mas estava desligado…”
“Isso é o que as pessoas pensam! Está ligado sim senhor!”
A minha mãe não se aguenta:
“Ela passou sim! As pessoas até disseram que não funcionava mas ela tentou! E também vinha a dizer que tinha de passar o cartão na máquina para tirar essa viagem ao chegarmos a Entre Campos, para poder comprar viagens de Metro. E se não acredita em nós entre em contacto com o seu colega da estação!
As mães têm um poder persuasor muito grande! Ou então, a minha não têm ar de aldrabona e eu tenho…
“Bem…o sistema ainda não está perfeito…estas coisas podem acontecer…
Bom dia.”
E foi-se…
Ainda bem que a viagem chegou rapidamente ao fim. Tanta gente naquela carruagem com opinião sobre o assunto…ui!

Cena dois, no Metro:

Cartão na máquina e ela diz:
“Cartão não válido”
De novo:
“Cartão não válido”
Olho para a bilheteira. Fechada. Letreiro a dizer “Encerrado”. Menina sentada atrás a ler uma revista.
Aproximo-me e timidamente solicito “…bom dia, pode só ver o que se passa com este cartão? Diz: “Cartão não válido”…”
A menina pega no cartão, passa na máquina dela que diz “cartão não válido”, retira da máquina, olha-o, sorri-me e diz:
“Este cartão não está em condições. Tem um vinco!”
E devolve-mo.
“Tem um vinco?!?” (à minha observação parece-me normal…)
“mas ainda agora funcionou na CP!”
“Ah! Mas as nossas máquinas do Metro são mais sensíveis! Esse cartão está danificado!”
“Está danificado!? Bem. Então dê-me outro!”
“Isso não! Tem de o comprar!”
“Comprar?! Então mas usei este pouquíssimas vezes! E quando o comprei disseram-me que tem validade de um ano! Que culpa tenho eu que as vossas máquinas sejam mais sensíveis?! A mim parece-me normal, funcionou e foi lido numa máquina da CP agora mesmo e se tem algum vinco é porque é de cartão e não pode ser conservado impecável após as utilizações. Aliás este está muito pouco utilizado!”
“Pois…lamento mas…é assim!”
(suspiro) (meu)
“Então venda-me lá outro…”
“Isso não posso. O balcão está encerrado!” (e aponta para o letreiro).
“Tem de ir à máquina…”


9 de junho de 2009

A que cheira o meu sonho?

Cerejinha, Mercado do Funchal, 2004





A Lua de Lobos pôs-me a pensar...

Respondi-lhe mas apetece-me mostrar também aqui:



O meu sonho cheira a chocolate quente,
cheira a torradas frescas, cheira a chá de tília…

O meu sonho cheira a
risos, gargalhadas ao virar da esquina, ao marulhar do mar…

O meu sonho
cheira a raios de luz do sol batendo no corpo nú, cheira a areia áspera entre os
dedos dos pés, a um afago de pele com pele…

O meu sonho cheira a uma
aguarela num museu, a um arco íris numa cascata, à grandiosidade de um
desfiladeiro…

O meu sonho cheira-me. Com todos os meus
sentidos…


6 de junho de 2009


Cerejinha, Minas do Lousal, 2009


Os ousados começam, mas só os determinados terminam.

George Bernard Shaw