A vida é uma cereja. A morte um caroço. O amor uma cerejeira.

26 de março de 2007

Aniversário

Faz hoje um ano que este blog começou.
O post de aniversário é dedicado à Serenity, ao Tesuras, ao Manny e ao Jaquim, e eles sabem porquê!
Força Serenity, "amanda-te" ao bolo!
Obrigada Amigos, não me esqueço de vocês.
Beijos.

18 de março de 2007

O sorriso





Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


17 de março de 2007

Para a Gaivota


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

15 de março de 2007


Com o sol a trepar pelas árvores
não tardará que a manhã corra mais limpa e se possa beber.
Eugénio de Andrade

13 de março de 2007


Julguei que me amariam.
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser...

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
e sentando-me outra vez à porta de casa.
(...)
A realidade não precisa de mim.



Alberto Caeiro

12 de março de 2007


A árvore caída, todos vão buscar lenha.

11 de março de 2007

Atocha 2004-2007




Monumento Bosque dos Ausentes, no Parque do Retiro, em Madrid.


A obra possui 192 ciprestes e oliveiras, representando cada vitima do atentado, rodeados por uma lâmina circular de água -que simboliza a vida.

10 de março de 2007


Amanhã...
É domingo.

E aos domingos as árvores crescem na cidade,

e os pássaros, julgando-se no campo,

desfazem-se a cantar empoleirados nelas.

Tudo volta ao princípio.

António Gedeão

9 de março de 2007


Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem com a poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

Ruy Belo

8 de março de 2007

Árvores XXIV


Parece-me que nunca ninguém há-de
Ver poema tão belo como a árvore.
Árvore que sua boca não desferra.
Do seio doce e liberal da terra.
Árvore, sempre de Deus a ver imagem
E erguendo em reza os braços de folhagem.
Árvore que pode usar, como capelo,
Ninhos de papo-ruivo no cabelo;
Em cujo peito a neve esteve assente;
Que vive com a chuva intimamente.
Os tontos, como eu, fazem poesia;
Uma árvore, só Deus é que a faria.

Joyce Kilmer

7 de março de 2007


Cada árvore é um ser para ser em nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada

À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses
António Ramos Rosa

5 de março de 2007

Árvores XXII


As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?
Põe-se o sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas por que será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?
Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?
Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?
António Gedeão

4 de março de 2007



A copa da árvore é tecto de quem não tem o que quer que seja, mas fugi dela quando troveja.

3 de março de 2007


Eu tenho ideias e razões,

Conheço a cor dos argumentos

E nunca chego aos corações.

Fernando Pessoa

1 de março de 2007


Devagar no jardim a noite poisa
E o bailado dos seus passos
Liberta a minha alma dos seus laços,
Como se de novo fosse criada cada coisa.

Sophia de Mello Breyner Andresen