A vida é uma cereja. A morte um caroço. O amor uma cerejeira.

9 de abril de 2007

O porquê de certas expressões

Mais curiosidades
(agora deu-me para isto)

DOUTOR DA MULA-RUÇA: Os doutores e pregadores da casa real, tinham em geral, como convinha à sua decência, mula e mula ruça (branca ou esbranquiçada), ou seja, doutor mula ruça era um doutor da casa real portuguesa. Também se diz ser esse o apelido de certo curandeiro que existiu em Portugal durante o reinado de D. João III e que foi reconhecido oficialmente. O sentido pejorativo deve ter nascido com o reconhecimento de um curandeiro como doutor de mula ruça, que era insígnia de altos funcionários da casa real.

PERDER AS ESTRIBEIRAS: Perder os estribos, que já não é uma expressão usual, remete para as artes de cavalaria e exprime a insegurança de quem não tem onde firmar montaria. Do sentido primitivo, relacionado com os estribos ou as estribeiras, passou a significar perder o controle, a direcção; desnortear-se em palavras e actos; exceder-se na resposta descortês e violenta ou até endoidecer momentaneamente.

PÔR A MÃO NO FOGO: Um dos métodos praticado nos ordálios da Idade Média era a prova do ferro caldo. Quem alegava inocência, era obrigado a submeter-se a uma prova que consistia em pegar numa barra de ferro aquecida ao rubro e caminhar com ela na mão por alguns metros. Envolvia-se a mão em estopa, selada com cera, e três dias depois abria-se a ligadura. Se a mão estivesse ilesa, sem sinal de queimadura, era evidente e provada a inocência. Se estivesse queimada, provada estava a culpabilidade e era imediata a punição pela forca."Por a mão no fogo por alguém, portanto, é jurar pela sua inocência.
DAR AS MÃOS À PALMATÓRIA OU O BRAÇO A TORCER: Referência às palmatórias usadas para castigar os alunos. Era tão usual os alunos que errassem serem punidos pelos que acertassem as perguntas do professor que as suas mãos se estendiam automaticamente, humildes e reconhecidas. Dar a mão à palmatória é reconhecer o próprio erro, mesmo hoje, quando já não existe tal objecto de suplício.Não se conhece referência a este castigo de torção do braço na história da escola tradicional. Pode estar relacionado com os castigos aplicados nas escolas de artes marciais ou desportos.
CAIR NOS BRAÇOS DE MORFEU: Morfeu (origem da palavra morfina), filho de Hipnos, era o criador dos sonhos e, como seu pai, um dos deuses do sono. Cair nos braços de Morfeu é o mesmo que dormir.

ESPADA DE DÂMOCLES:
Dâmocles é uma personagem associada a um conto grego. Dâmocles, ao que parece, era um cortesão bastante bajulador na corte de Dionísio I de Siracusa - Um tirano do século 4 AC em Siracusa, Itália. Ele dizia que, como um grande homem de poder e autoridade, Dionísio era verdadeiramente afortunado. Então, Dionísio ofereceu-se para trocar de lugar com ele por um dia, para que ele também pudesse sentir o gosto de toda esta sorte. À noite foi realizado um banquete, onde Dâmocles adorou ser servido como um rei. Somente no final da refeição olhou para cima apercebendo-se que uma espada afiada, pendurada por um único fio de rabo-de-cavalo, suspendia directamente sobre a sua cabeça. Imediatamente perdeu o interesse pela excelente comida e pelos belos rapazes e abdicou de seu posto, dizendo que não queria tal fortuna.A Espada de Dâmocles é uma alusão frequentemente usada para remeter a este conto, representando a insegurança daqueles com grande poder (devido à possibilidade deste poder lhes poder ser tomado a qualquer altura) ou, mais genericamente, a qualquer sentimento de condenação iminente.

CUSTAR OS OLHOS DA CARA: Esta frase só pode ser interpretada como uma alusão ao suplício bárbaro de arrancar os olhos aos prisioneiros de guerra perigosos à estabilidade do reino, tornando-os inofensivos. Aliás, desde os tempos homéricos o valor incomparável da visão é decantado como a mais preciosa das jóias, a imagem mais viva na simbologia amorosa; tão valorizado que surge na Lei de Talião como a imagem de terror na locução: olho por olho, dente por dente, a maior ameaça que se poderia fazer aos malfeitores. Custar os olhos da cara é custar muito caro; é custar a jóia mais cara que se possui.

DAR ÀS DE VILA DIOGO: A frase deve ser castelhana, e ter vindo para cá juntamente com outras, nos tempos em que essa língua era tão familiar em Portugal, que os nossos escritores nela compunham prosas e versos - «Tomar las de Villadiego».Segundo o «Diccionario de Uso del Español» de Marta Moliner», esta expressão significa fugir de um sítio precipitadamente, por alusão aos alforges ( sacola, saco de viagem) que se fabricavam na povoação de
Villadiego.

JARDIM À BEIRA MAR PLANTADO: A frase, que se tornou popular, consta de uns versos que fazem parte do longo poema D. Jaime, de Tomás Ribeiro.

JÁ LÁ VAI TUDO QUANTO MARTA FIOU: Referência aos tempos idos. Afirma-se, sem base totalmente fidedigna, que a
Marta da frase seria irmã de Lázaro e de Maria. Após a crucificação de Cristo, ter-se-á convertido e abandonado a vida de casa (onde as mulheres fiavam) e pregou a fé na Provença. De facto, S. Lucas e S. João mencionam a existência de Marta. Se esta Marta é a Marta da frase não podemos confirmar. A variante "lá vai tudo quanto Marta fiou", assumiu entretanto um sentimento de perda, dano ou desgraça.

EMBANDEIRAR EM ARCO: Na Marinha, em dias de gala ou simplesmente festivos, os navios embandeiram em arco, isto é, içam pelas adriças ou cabos (vergueiros) de embandeiramento, galhardetes, bandeiras e cometas quase até ao topo dos mastros, indo um dos seus extremos para a proa e outro para a popa. Assim são assinalados esses dias de regozijo ou se saúdam outros barcos, que se manifestam da mesma forma. Se, na linguagem quotidiana, a expressão significa "manifestação de alegria", a transferência simbólica é evidente.

FAZER TÁBUA RASA: A origem vai encontrar-se na filosofia. A “tabula rasa”, no latim, correspondia a uma tabuinha de cera onde nada estava escrito. A expressão foi tirada, pelos empiristas, de Aristóteles, para assim chamarem ao estado do espírito que, antes de qualquer experiência, estaria, em sua opinião, completamente vazio. Também John Locke (1632 1704), pensador inglês, em oposição a Leibniz e Descartes, partidários do inatísmo, afirmava que o homem não tem nem ideias nem princípios inatos, mas sim que os extrai da vida, da experiência. «Ao começo», dizia Locke, «a nossa alma é como uma tábua rasa, limpa de qualquer letra e sem ideia nenhuma. “Tabula rasa in qua nihil scriptum”. Como adquire, então, as ideias? Muito simplesmente pela experiência.».Em linguagem popular, «fazer tábua rasa» é esquecer completamente um assunto para recomeçar em novas bases.
(tive de refazer o post, não sei o que se passou Jaquim)

4 comentários:

adesenhar disse...

tens aqui algumas bem interessantes.
eheheh

mas...
não descobri uma parecida com esta e que de momento como sabes é prato forte no meu blog.

"prefiro partir uma perna do que..."

gostava de entender esta expressão.

no meu caso foi o tornozelo mas vai dar ao mesmo.

:-)

bjs

APC disse...

E o ser "piroso", ouvi hoje de manhã na rádio, tem que ver com esta história:
Por volta dos anos 50, terá surgido em Lisboa uma loja de confecções que, a dado momento, passou a ser comummente conhecida por disponibilizar roupas muito pouco reconhecidas na sua beleza (talvez fora de moda, talvez ridículas, talvez meio bregas, não apanhei bem...?!). Essa casa tinha por nome o apelido do seu proprietário: "Pires".
Vai daí que, passou-se a dizer, quando se via alguém menos bem vestido: - "Estás muito [à] Pires, hoje"; ou (essa a que pegou): - "Que coisa pirosa! / que piroso!".
:-)))

Gosto dos teus comentários no PPP! :-)

irneh disse...

Muito interessante...Há sempre uma justificação para as expressões populares....

freefun0616 disse...

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