A vida é uma cereja. A morte um caroço. O amor uma cerejeira.

21 de fevereiro de 2007

Árvores XIV


As palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm,
cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas,
inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos
lembram ainda.
Quem as escuta?
Quem as recolhe,
assim,cruéis,
desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade