A vida é uma cereja. A morte um caroço. O amor uma cerejeira.


1 de dezembro de 2010

Não, não é cansaço…

Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…
Não, cansaço não é…
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Álvaro de Campos

10 de julho de 2010

A saúde mental dos portugueses

Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no Público, 2010-06-21

(...) Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso

Médico psiquiatra

17 de janeiro de 2010

RECEITA PARA UM ANO FELIZ

Cerejinha, Parque de Bensaúde, Lisboa, Janeiro 2010
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Tome 12 meses completos.
Limpe-os cuidadosamente de toda a amargura, ódio e inveja.
Corte cada mês em 28, 30, ou 31 pedaços diferentes,
mas não cozinhe todos ao mesmo tempo.
Prepare um dia de cada vez com os seguintes ingredientes:

- Uma parte de fé
- Uma parte de paciência
- Uma parte de coragem
- Uma parte de trabalho


Junte a cada dia uma parte de esperança, de felicidade e amabilidade.
Misture bem, com uma parte de oração, uma parte de meditação e uma parte de entrega.
Tempere com uma dose de bom espírito, uma pitada de alegria, um pouco de acção, e uma boa medida de humor.
Coloque tudo num recipiente de amor.
Cozinhe bem, ao fogo de uma alegria radiante.
Guarneça com um sorriso e sirva sem reserva.

7 de novembro de 2009

25 de outubro de 2009

O azul do Piodão





























Fotos de Cerejinha, 2009

27 de setembro de 2009

Cerejinha's sister, Ruffy, 2004
Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade.

Leonardo da Vinci

21 de setembro de 2009

Parábola Oriental


Cerejinha, Regaleira, 2007


Um ancião passava os seus dias sentado ao lado de um poço de água, na entrada de um povoado.

Certa ocasião, um jovem aproximou-se e perguntou-lhe:

- Nunca estive nesse povoado. Como são seus habitantes ?

O ancião respondeu-lhe com outra pergunta:

- Como são os do lugar de onde você vem ?

- Egoístas e malvados. Por isso me sinto feliz por ter saído de lá - disse o rapaz.

- Assim são os habitantes desta cidade - respondeu o ancião .

Apenas uma hora depois outro jovem se aproximou e fez-lhe a mesma pergunta :

- Acabo de chegar a este lugar, como são seus habitantes ?

O ancião respondeu :- Como são os do lugar de onde você vem ?

- São bons , generosos, hospitaleiros, honestos e trabalhadores. Deixei tantos amigos que me custou muito sair de lá - afirmou o rapaz.

- Assim são, também, os habitantes desta cidade. - respondeu o ancião.

Quando o jovem partiu, um homem que havia levado os seus animais para beber água no poço e que havia escultado ambas conversas, perguntou ao ancião:

- Como é que pode dar duas respostas opostas ante a mesma pergunta ?

- Acontece que cada um leva um Universo em seu coração. Quem nada encontrou de bom no seu passado, nada encontrará aqui. Aquele que tinha amigos na sua cidade, aqui também encontrará bons amigos.

As pessoas refletem o que existe em si mesmas. Encontram, sempre, o que esperam encontrar.

20 de setembro de 2009


Cerejinha, Ribadeo, 2009

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca.
Esquivamo-nos do sofrimento e perdemos também a felicidade.

Carlos Drummond de Andrade

17 de setembro de 2009


Cerejinha, Casa dos Girassois, Comillas, 2009

Eu gosto de viver.Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento, mas apesar de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional.


Agatha Christie

16 de setembro de 2009

Ai, como eu o compreendo...


Para ler, clique na imagem

9 de setembro de 2009

Receita de FRANCESINHA


Cerejinha, Casa da Música, Porto, 2005

Ingredientes:


Receita para 4 Pessoas
Para o Molho:


· 1 cebola grande

· 2 dentes de alho

· 1 cerveja

· 1copo de vinho branco

· 1/2 copo de whisky

· 1/4 copo de vinho do Porto

· 1/4 copo de aguardente

· folha de louro

· salsa

· água q.b.

· 1 caldo knorr (galinha)

· creme de marisco q.b.

· polpa de tomate

· piri-piri q. b.



Para a Francesinha:


· 8 fatias de pão de forma

· fiambre · queijo fatiado

· bife

· salsichas

· paio york




Preparação: Faz-se um estrugido leve com a cebola e o alho picados, deita-se um pouco de água, deixa-se ferver e acrescenta-se a polpa de tomate o louro e as bebidas e umas aparas do bife. Deixa-se refogar e passa-se com a varinha mágica. Vai novamente ao lume põe-se piri-piri a gosto e engrossa-se com um pouco de creme de marisco e está pronto.


Torra-se o pão e num prato fundo deita-se uma fatia por cima deste coloca-se o fiambre, o bife (frito), as salsichas (fritas e rachadas ao meio), o paio, a outra fatia de pão e finalmente o queijo a tapar e vai ao micro-ondas derreter um pouco o queijo. Coloca-se o molho por cima e está pronta a ser comida. Acompanha-se a gosto e com uma boa bebida e de preferência com uma boa companhia e é só desfrutar.


PS: Cuidado com o picante.

21 de julho de 2009

Cerejinha, Campo Grande, 2009
Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Fernando Pessoa

17 de julho de 2009


Cerejinha, monte alentejano, 2008

Os mais ricos não são os que têm mais,
mas os que precisam de menos.
(autoria desconhecida)

20 de junho de 2009

Morre lentamente quem não viaja


Cerejinha, Berlengas, 2005



Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da
Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

18 de junho de 2009

Cerejinha, Aldeia da Luz, 2008
Há um desassossego no ar.

Temos a sensação de estar na orla do tempo, entre o Presente quase a terminar e o Futuro que ainda não nasceu.

Boaventura Sousa Santos

15 de junho de 2009

Cerejinha, Rio Alva, Secarias, 2009

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
pois o triunfo pertence a quem se atreve...
A vida é grande para ser insignificante.

Charles Chaplin

12 de junho de 2009

Alguém se lembra da série árvores?!?

Cerejinha, Empúries, 2006

Um homem terá pelo menos dado a partida para a descoberta do sentido da vida humana quando começar a plantar árvores frondosas sob as quais sabe muito bem que jamais se sentará.
D. Elton Trueblood


11 de junho de 2009

Cerejinha, Fornos de Algodres, 2009

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa